Comprimidos, posso partir?

Você acaba de sair do médico, sua receita indica o uso de Dipirona de 500mg, ao chegar em casa você se lembra daquela dipirona de 1g que comprou a um tempo atras, e agora? erá que é seguro partir essa dipirona para obter a dose de 500mg?
O uso de medicamentos por via oral é considerado uma das formas mais adequadas para administrar-se um medicamento, sendo segura, econômica e de fácil manipulação e identificação, portanto, pode ser considerada como uma terapia de escolha para alguns pacientes (Ferreira et al., 2012).
A prática de divisão de comprimidos é aconselhável em casos onde o paciente necessita utilizar uma dosagem do medicamento não disponível comercialmente. Para isso, é preciso realizar o ajuste da dose. Porém, a perda que ocorre a partir da "quebra" do comprimido pode comprometer a eficácia do tratamento, podendo ocasionar riscos à saúde do paciente.
Quando um comprimido é partido ao meio, não podemos garantir que as partes “quebradas” apresentarão a mesma dose. Essa desigualdade gerada na variação da dose pode afetar a posologia do medicamento, ou seja, a quantidade de medicamento fornecida ao paciente durante um intervalo de tempo (Buttow et al., 2012).
Alguns estudos sugerem que a partição de comprimidos é terapeuticamente desaconselhável. Um estudo conduzido por Buttow e colaboradores (2012), observou perdas significativas de massa em comprimidos diuréticos de hidroclorotiazida após o processo de partição.
Quando um comprimido é partido pode haver, além da perda de massa, incorporação de umidade e luz em suas partes acelerando então a sua degradação. Outro ponto desfavorável à prática é o aumento da friabilidade, ou seja, a facilidade da perda do pó do comprimido. Alguns medicamentos, como a dipirona, por exemplo, apresentam rápido processo de degradação e, dessa forma, não devem ser partidos (Auricchio et al., 2011).
Uma alternativa à divisão de comprimidos é o uso de medicamentos manipulados, opção válida nos casos em que não estão disponíveis algumas dosagens no mercado, facilitando, por exemplo, o tratamento de crianças e idosos com preparações farmacêuticas adequadas para cada faixa etária e condição fisiológica (Pinto; Barbosa, 2008). Uma outra opção seria modificar a forma farmacêutica, ou seja, alterar a forma como o medicamento será administrado ao paciente.
É importante salientar que nem todo comprimido pode ser partido. Os comprimidos revestidos e os íntegros não sulcados (sem aquela marcação no centro) são difíceis de serem "quebrados", logo, não haverá homogeneidade entre as partes após a partição. Já os comprimidos de liberação entérica, aqueles cujo princípio ativo é liberado no intestino, e comprimidos de liberação prolongada ou controlada, cujo fármaco é liberado de forma gradual e contínua em diferentes locais e tempos, jamais deverão ser partidos. Alguns comprimidos como os não revestidos e os comprimidos sulcados são mais fáceis de serem partidos, porém, a prática só deve ser realizada sob consentimento médico (Vuchetich et al., 2003; Noviasky et al.,2006).
Autora: Helena da Silva Luiz (aluna de Farmácia)
Referências Bibliográficas
AURICCHIO, M.T.; YANO, H.M.; SANTOS, AP.; BUGNO, A. Avaliação do teor de Atenolol em comprimidos divididos com faca caseira e aparelho cortador. Acta Paulista de Enfermagem, v.24,n.1, p.74-9, 2011.
AULTON, M. E. Delineamento de Formas Farmacêuticas, Porto Alegre, Artmed Editora, 2ª ed.,2005.
BUTTOW, A.A.; PRIMO, F.T.; ROCHA, A.S.R.; HERTZOG, G.I.; FERREIRA, M.; NOGUEIRA, B.B. Avaliação do processo de partição em comprimidos de hidroclorotiazida. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, v.33,n.4, p. 555-560, 2012.
FERREIRA, A.A.A.; PRATES, E.C.; FERNANDES, J.P.S.; FERRARINI, M. Avaliação do efeito da partição de comprimidos de furosemida sobre a uniformidade da dose. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, v.32, n.1, p. 47-53, 2011.
NOVIASKY, J.; LO, V.; LUFT, D.D.; SASEEN, J. Clinical inquiries. Which medications can be split without compromising efficacy and safety?The Journal of Family Practice, v.55, n.8, p.707-8,2006.
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